Consultório de Endocrinologia e Obesidade

Dr. Nelson Vinicius Gonfinetti - CRM 50.742

Um brasil mais gordo

É o que revelam as últimas estatísticas sobre a obesidade no país, que, infelizmente, segue uma tendência mundial.

O planeta está em guerra, mas não vamos falar sobre a invasão do Iraque nem sobre a crise no Oriente Médio. O inimigo que produz mais vítimas do que todos os conflitos bélicos atuais é a obesidade — um vilão que, nos últimos anos, levou vários países ativar o alerta máximo de ameaça à saúde pública. O Brasil, infelizmente, está nessa frente de batalha, mas a perspectiva de paz com a balança ainda é distante. Uma pesquisa do InCa traz números alarmantes sobre o excesso de peso nas capitais brasileiras. No mapa que ilustra estas páginas, dá para conferir a porcentagem de pessoas com sobrepeso e obesidade em 15 capitais e no Distrito Federal — mas deve-se levar em conta que os índices das capitais nem sempre refletem o conjunto de habitantes dos estados.

Por meio desses dados, chegou-se a algumas conclusões. A mais preocupante é a de que os quilos extras dão vários sinais de avanço. Além disso, segundo as estatísticas, os homens têm maior índice de sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9) do que as mulheres, porém elas são a maioria dos obesos (IMC acima de 30). O único segmento da população que tem conseguido se livrar do mal aos poucos é o de mulheres de alta renda.

Se a situação nas capitais é inquietante, o quadro nacional também impressiona.Temos pocuos numeros recentes sobre a obesidade infantil, mas sabe-se que os pequenos estão cada vez mais gorduchose nos pergutamos por que a nossa cintura não pára de crescer. Há vários motivos, desde o sedentarismo até os maus hábitos alimentares, pois o peso corporal sempre será um equilíbrio entre o que se ingere e o que se gasta, no sentido calórico. No Brasil, no entanto, um fator mais é também o mais simples: não engordar é caro. Consumir alimentos saudáveis, praticar exercícios e buscar a orientação de especialistas são atitudes que exigem tempo e dinheiro. Um dado curioso é que a obesidade já está chegando ao nativos indígenas das aldeias, e um dado recente divulgado pela Funasa revelou um índice de sobrepeso de 30,23%, 15,7% para obesidade, 8,9% para hipertensão e 32,7% para anemia.

Ao redor do planeta, a Organização Mundial da Saúde calcula que pelo menos 1 bilhão de pessoas estejam acima do peso indicado. Desse total, cerca de 300 milhões estão obesas pra valer, sendo metade crianças. Os quilos a mais aumentam — e muito — os riscos de desenvolver doenças sérias, como o diabete tipo 2, a hipertensão e até alguns tipos de câncer. Segundo um estudo divulgado no ano passado pela Força Tarefa Latino-Americana de Obesidade, uma entidade que reúne associações de estudos sobre o tema de vários países, os custos do problema no Brasil chegam a 1 bilhão e 100 milhões de dolares por ano. Só o SUS, de acordo com a mesma pesquisa, destina cerca de 600 milhões de reais anuais para as internações decorrentes do excesso de peso. É muito dinheiro, principalmente para um país que conta as moedas na hora de realizar qualquer investimento público.

O esforço de cada um é fundamental, mas não é suficiente para solucionar essa questão. Os governos — inclusive o nosso, podem e devem atacar o mal em várias frentes. Isso implica em não apenas oferecer mais informações sobre alimentação e ter um maior controle sobre a propaganda de comidas em geral, além de também melhorar o acesso aos alimentos saudáveis por diversas ações, incluindo benefícios fiscal.

Meta mundial

Combater a obesidade é tão importante que a OMS aprovou em maio de 2004 a Estratégia Global para Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde. Os 192 países-membros da entidade se comprometeram a implementar uma série de medidas e uma das sugestões da iniciativa é de que se limite a quantidade de açúcar, sal e gordura nos alimentos, elevando-se, em contrapartida, o consumo de frutas, grãos e verduras. Esse esforço mundial faz sentido. Em nações como Egito, Reino Unido e Turquia, o índice de habitantes com IMC acima de 30 é superior a 20%. Nos Estados Unidos, berço da fast-food, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) estimam em 30% o índice de obesos e quando os habitantes com sobrepeso também entram na conta, a porcentagem sobe para incríveis 64%; ao menos 80% da população deste país tentou, em alum momento, fazer um tratamento médico para perder peso. Mas em matéria de obesidade ninguém supera os habitantes de Nauru, um pequeno país perdido no meio do oceano Pacífico. De acordo com um levantamento feito pela OMS, nada menos de 79,4% da população tem IMC acima de 30. Definitivamente, eles são os campeões, e isto está relacionado com um excepcional baixo índice de atividades físicas. Esta população é beneficiada por altos royalts de um minério da ilha, e não precisam trabalhar.

A gente não quer só comer

Além de atacar a desnutrição, é preciso promover a alimentação saudável.

O flagelo da fome ainda é comum entre a população de baixa renda em nosso país. A desnutrição infantil, por exemplo, é um grave problema em várias regiões. A falta do que comer, segundo as estatísticas, afeta mais crianças e adolescentes no Nordeste do que a obesidade. Porém, entre adultos, o excesso de peso já atinge mais habitantes. No Sudeste, a desnutrição só empata com a obesidade em crianças de até 5 anos. Em adolescentes e adultos, os quilos extras são bem mais comuns. Assim, o combate à fome precisa ser feito em conjunto com o controle das dobrinhas. Não adianta resolver a desnutrição com um tipo de alimentação que possa levar a outros problemas de saúde.

Indique para um amigo

Gostou das informações que você encontrou aqui ?
Caso queira indicar esse site para algum amigo, basta preencher os campos abaixo: