Consultório de Endocrinologia e Obesidade

Dr. Nelson Vinicius Gonfinetti - CRM 50.742

DROGAS ANTI-TIREÓIDE

No Brasil, 2 drogas estão disponíveis para tratar o hipertireoidismo: propitiouracil e metimazol. Estas medicações controlam o hipertireoidismo diminuindo a produção dos hormônios da tireóide, e são usadas freqüentemente por muitos meses para normalizar os níveis dos hormônios de tireóide.

É importante frisar que estas medicações não curam o hipertireoidismo, mas somente controlam a produção dos hormônios da tireóide, aguardando o recrudescimento da doença. Alguns pacientes com hipertireoidismo causado pela doença de Graves (Bócio Difuso Tóxico) apresentam uma remissão espontânea ou natural do hipertireoidismo após uns 12 a 18 meses de tratamento com estas drogas. Outras vezes a Doença de Graves evolui espontaneamente para o hipotireoidismo, sem qualquer tratamento. Infelizmente, a remissão é freqüentemente provisória, com o hipertireoidismo que após diversos meses ou anos sem medicação, retorna e requer o tratamento adicional, assim relativamente poucos pacientes são tratados unicamente com a medicação antitireóide, nos Estados Unidos.

As drogas antitireóide podem causar uma reação alérgica em aproximadamente 5% dos pacientes, o que não deve se negligenciado. Isto ocorre geralmente durante as primeiras 6 semanas do tratamento com a droga. Tal reação pode incluir febre e lesões de pele, ou dor de garganta (amidalite), mas após ter interrompido o uso da droga, os sintomas são resolvidas dentro de 1 a 2 semanas. Não há como prevermos se a pessoa vai ou não ter as reações colaterais ás medicações.

Um efeito mais sério, mas que ocorre somente em aproximadamente 1 de 250-500 pacientes durante o início do tratamento, é uma diminuição rápida dos glóbulos brancos do sangue.

Tratamento radioativo de iodo

Esta é uma modalidade muito eficaz de controle do hipertireoidismo, e baseia-se em uma premissa muito simples. O iodo é um ingrediente essencial para a produção de hormônios de tireóide, e é quase 100 % captado pela tireóide, não atingindo outros órgãos.

Cada molécula de hormônios de tireóide contém 4 (T4) ou 3 (T3) moléculas de iodo. Nos anos 40 descobriu-se que a tireóide poderia ser “trapaceada”, através do iodo, mas radioativo. Este iodo marcado com radiação é ingerido na forma de um liquido inodoro e incolor, e vai ser captado pela tireóide, fazendo uma radiação em um raio de 2 cm dos seus limites. Neste caso esta radiação destrói gradualmente a glândula, controlando a superprodução hormonal.

A radiação de iodo é dada uma ou duas vezes, em intervalos de pelo menos seis meses. O benefício máximo é notado geralmente dentro de 3 a 6 meses. Pessoalmente sou um grande incentivador desta modalidade de tratamento, pois a considero eficaz, barata e não é tão agressiva como uma cirurgia, além de ser rápida.

Não é possível eliminar confiantemente a quantidade certa da glândula de tireóide doente, desde que os efeitos da radiação de iodo são lentamente progressistas nas células da tireóide. A nossa experiência nos diz a quantidade correta de radioiodo que a doença necessita, de maneira que cada individuo recebe uma dose específica.

Mas isto pode resultar no desenvolvimento intencional do hipotireoidismo, que rapidamente vai ser corrigido facilmente, pelo uso diário e contínuo da terapia oral da recolocação do hormônio de tireóide. Embora todo esforço seja feito para calcular a dose correta da radiação de iodo para cada paciente, nem todo tratamento corrigirá com sucesso o hipertireoidismo, particularmente se a glândula for grande, e uma segunda dose do iodo radioativo é ocasionalmente necessária.

Apesar de ter um aspecto perigoso por ser radioativo, está sendo utilizado há mais de 50 anos e em centenas dos milhares de pacientes e nenhuma complicação séria foi relatada.

Desde que o tratamento apareceu para ser extraordinariamente seguro, simples, e confiantemente eficaz, é considerado pela maioria dos especialistas em tireóides, nos Estados Unidos e no Brasil, como o tratamento da escolha para aqueles tipos de hipertireoidismo causados pela super produção de hormônios da tireóide. Não há dados indicando que provoque danos ao organismo, como outro câncer, já que a radiação emitida é muito pequena proporcionalmente, e restringe-se somente á tireóide.

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