Consultório de Endocrinologia e Obesidade

Dr. Nelson Vinicius Gonfinetti - CRM 50.742

Baixinhos obesos

Criança obesaMudanças na sociedade transformaram a obesidade
em uma epidemia também entre as crianças.

Acredita-se que o problema já acomete 15% dos pequenos.
O tradicional auto-retrato infantil, quase sempre uma obrigação escolar, está cada vez mais parecido com os desenhos destas páginas. As crianças brasileiras estão engordando — e muito.

Pelas contas dos especialistas, cerca de 15% dos pequenos são obesos. Outros 40% estão acima do peso. Trata-se de um fenómeno social que ganhou impulso nas últimas décadas.

Em 1974, apenas 4,2% da garotada era considerada obesa. É uma tendência assustadora, pois em pouco mais de duas décadas o número de casos aumentou 240%.

Para efeito de comparação, em período semelhante a quantida de de crianças americanas obesas saltou 66% lá os gorduchos já representam 25% da população em idade escolar.

AS CAUSAS

Estima-se que a genética seja responsável por 30% a 50% das ocorrências. Todo o restante tem relação com as mudanças de hábitos ocorridas na sociedade brasileira. Há cerca de 30 anos, cadeias de fast-food se espalharam pelo país e elegeram os pequenos consumidores como alvo dos seus sanduíches. Nos supermercados, a oferta de gulomeisas com altíssimo teor de calorias cheias de gordura saturada e açúcar é cada vez maior.

Além de comerem mais, os pequenos estão se mexendo cada vez menos. Devido à escalada da violência, eles deixaram de brincar na rua. As peladas e os passeios de bicicleta foram substituídos pela TV e pelo video-game. E, assim, garotos e garotas ficam parados e comendo, e um estudo epidemiologico brasileiro mostrou que somente 22% dos meninos e 9,1% das meninas praticam atividades físicas regulares.

É a síndrome do sofá. Seja qual for a causa predominante genética ou comportamento, os pais têm um papel decisivo. Uma criança filha de obesos apresenta de três a cinco vezes mais probabilidade de também desenvolver o problema.

EXEMPLO EM CASA

Quanto aos genes, pai e mãe nada podem fazer. Em relação aos hábitos, no entanto, há muito o que aprender para depois ensinar aos filhos e antes de mais nada, é fundamental dar o exemplo. Um pai dizer que a criança precisa comer salada e nem tocar em verduras na hora da refeição é um paradoxo comum nas famílias brasileiras. A infância é a principal fase de aprendizado de um ser humano. Os principais modelos da meninada são a própria casa e a escola.

E a infância é também o período mais propício para derrotar o distúrbio. Se alguém chega à adolescência obeso, tem de 60% a 80% de probabilidade de continuar assim na vida adulta.

Essa condição não apenas destrói a auto-estima, mas também prejudica a saúde no presente e no i futuro. Garotos com vários quilos extras correm mais risco de desenvolver o diabete, de ter colesterol alto e hipertensão. A obesidade mórbida abrevia em dez anos a vida de uma pessoa, em média. Quem já é obeso na adolescência pode acabar tendo morte súbita aos 30 anos.

DESCOBRIR CEDO

Prevenir o ganho de peso nos pequenos é sempre a melhor solução. Mas, se isso não for possível, ainda se pode ajudá-los com a detecção precoce do problema. Os pais devem se preocupar não apenas com os quilos na balança, mas também com a maneira como os filhos se comportam na hora das refeições. Crianças que comem demais, com compulsão e que não param de mastigar antes de ver o fim de um pacote de bolacha recheada podem apresentar uma tendência a desenvolver a doença. A partir daí, os médicos e os nutricionistas contam com um arsenal de conselhos para modificar os hábitos da família.

O que se recomenda é a reorientação alimentar. Ou seja, trocar os alimentos muito calóricos por comida mais nutritiva e leve. Além disso, é fundamental estimular na garotada o gosto pela atividade física. Já as cirurgias de redução do estômago somente são indicadas quando o excesso de peso põe a vida em risco.

MAIS TV, MENOS SAÚDE

Criança que vive grudada na telinha corre o risco de se tomar um adulto nada saudável. Passar muito tempo em frente à tela torna os pequenos presas fáceis da obesidade. Um estudo realizado na Nova Zelândia, no entanto, conseguiu provar que os malefícios não param por aí. Ao analisar os hábitos de mil pessoas desde o nascimento (entre 1972 e 1973) até os 26 anos, cientistas da Universidade de Otago constataram que as consequências se fazem sentir também na vida adulta: quem assistia mais televisão na infância e na adolescência tornava-se um adulto com colesterol mais alto e com menor capacidade cardíaca e respiratória. Também apresentava maior probabilidade de começar a fumar. Ao utilizar cálculos específicos, os médicos neozelandeses determinaram que 17% do excesso de peso aos 26 anos estavam relacionados com o quanto essas pessoas assistiram tevê quando mais novos. A televisão associa o sedentarismo com o bombardeio de imagens de comida.


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