Consultório de Endocrinologia e Obesidade

Dr. Nelson Vinicius Gonfinetti - CRM 50.742

Gastroplastia Redutora: Uma visão clínica

A obesidade não é um problema moral, não é um problema mental ou de falta de força de vontade Eseu tratamento implica na redução da mortalidade de pessoas que teriam suas vidas ultimadas precocemente. Ninguém é obeso porque quer e nem podemos considerar o obeso um "sem vergonha". Infelizmente não existe milagre, nem mágica, que promova a perda de peso sem a colaboração e a motivação do indivíduo; os sacrifícios portanto precisam ser realizados, mas são sempre mais difíceis no grande obeso.

Obesidade já é considerada uma epidemia global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença já alcançou mais de um bilhão de adultos com excesso de peso.

Conforme estimativas baseadas em levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), 35% da população adulta brasileira tem peso acima do desejável, afetando 13% das mulheres, 7% dos homens e 15% das crianças.

Existem alguns casos de obesidade aonde o tratamento através de medicamentos e da troca do estilo de vida já provaram ser ineficientes. São os chamados casos de obesidade mórbida, aonde a relação entre o peso e a altura excedem valores de 40 kg/m². Nestes casos, infelizmente todos os esforços e investimento em diminuir o peso através do acompanhamento de um médico endocrinologista têm se mostrado insuficiente para um sucesso, aonde alcançar um peso adequado é uma luta ingrata.

O tratamento da obesidade, de uma maneira geral, tem mostrado índices de recuperação do peso com uma freqüência muito alta, isto se consideramos somente os casos aonde a necessidade de perda de peso não é muito grande. Nas situações aonde a perda de peso tem que ser muito expressiva, então a resultado em si já é pouco possível.

O próprio corpo produz sinais hormonais que "puxam" o obeso sempre para a recuperação dos quilos tão bravamente perdidos, principalmente se esta perda de peso é muito abrupta.

Com este pensamento, há varias décadas a medicina tem-se valido do bisturi para auxiliar no tratamento da obesidade, e apareceram as cirurgias bariátricas. As técnicas iniciais eram muito falhas, com um índice de morte tardio muito alto, porem a evolução e o conhecimento da fisiologia da obesidade nos remeteram ás técnicas atuais.

Atualmente, consegue-se realizar uma cirurgia para a perda de peso com boa segurança e resultados a médio e longo prazo muito animadores. A taxa de mortalidade pela cirurgia gira em torno de 0,5 %, o que é bem razoável quando comparamos com os índices de morte pela própria obesidade e por aqueles que aguardam a cirurgia.

São candidatos à cirurgia bariátrica pessoas com Índice de Massa Corpórea igual ou superior a 40 Kg/m² , que tentaram tratamento clínico, bem orientado, e não obtiveram resultado.

Se a pessoa apresenta alguns problemas de saúde que são ocasionados, ou piorados, pela obesidade, mesmo um índice menor do IMC pode indicar a necessidade da cirurgia. São os casos aonde o IMC situa-se em 35 e 39,9 kg/m² e também existe hipertensão arterial, diabetes melito e problemas ortopédicos. OBESIDADE É UMA DOENÇA...

Há muito que consideramos o obeso uma pessoa doente pela sua própria condição de ter excesso de gordura no corpo, mesmo que ele não tenha outra patologia conjunta. E, infelizmente, é uma das doenças que mais mata no mundo e no Brasil.

GráficoFonte: Roche. Mortes/ano nos EUA (em milhares) que poderiam ser evitadas com prevenção ou tratamento.

COMO É A NOSSA DIGESTÃO ?

Boca: Onde começa a digestão. Lá os alimentos são submetidos à ação de algumas enzimas e triturados pelos dentes. Alguns nutrientes já podem ser absorvidos na boca, como o açúcar.

  1. Esôfago: tubo muscular que transporta os alimentos para o estômago.
  2. Estômago: É onde se realiza parte da digestão e armazenamento. Há a produção do suco gástrico. Produz também uma série de hormônios relacionados ao controle da fome e da saciedade.
  3. Intestino Delgado: Também digere os alimentos e contribui decisivamente para a absorção dos nutrientes. Seu tamanho varia de 4 a 8 metros, e pessoas obesas tem intestino maior.
  4. Intestino Grosso: Armazena o bolo fecal e excreta-o.

Sistema digestivo

TIPOS DE CIRURGIAS

A gastroplastia redutora pela técnica de Capella, que consiste em se diminuir o estômago com grampeamento mecânico (o volume do estômago passa de 2000 ml para aproximadamente 20 ml.), com desvio do intestino em 1,2 m para diminuir a absorção dos alimentos, sendo uma técnica restritiva e desabsortiva ao mesmo tempo. Nenhuma parte do tubo digestivo é retirada, e a cirurgia poderá até ser desfeita posteriormente. Pode ser aberta ou videolaparoscópica. Nesta técnica também se coloca um pequeno anel de silicone envolvendo o pequeno estômago construído.

Estomago

COMO A CIRURGIA FAZ PERDER PÊSO ?

A cirurgia de redução do estomago cria a sensação que você está com o estomago cheio, satisfeito e confortável após ter se alimentado. Porém, alguns hormônios produzidos pelo estômago passam a ser influenciados, provocando a sensação de saciedade. Após a alimentação a pequena bolsa do estomago é dilatada por pouca quantidade de comida e é criada a sensação de estar com o estomago cheio de alimento. Além deste limite a ingestão de líquidos ou alimentos, provoca náuseas ou vômitos.

O interessante é que o paciente submetido á cirurgia passa a não querer mais se alimentar além da necessidade, perdendo espontaneamente a fome.

É comum ter sensação desagradável ao comer doces ou bebidas de altas calorias. Poderá sentir tontura, suor nas mãos e mal estar geral. Este processo ocorre pelo desvio do transito intestinal, e pode ser de grande auxílio avisando que há limite no tipo de alimento a se ingerido.

QUANTO QUE SE PERDE DE PESO ?

A perda é maior logo após a cirurgia, chegando até 5 kg por semana, mas gradualmente diminuindo este ritmo no decorrer do tempo. Ao longo de 1 ano a perda de peso é de aproximadamente 40%, habitualmente estabilizando-se e mantendo-se neste patamar. A perda de peso adicional é conseguida quando há associação com exercícios físicos (natação, caminhar, hidroginástica etc...).

E DEPOIS DA CIRURGIA?

O paciente obeso não deve receber alta em nenhuma situação. Mesmo nos casos aonde há sucesso na cirurgia, o acompanhamento deve ser necessário, ao menos em visitas anuais. O paciente deve "re-aprender" a comer, observando qual vai ser o seu limite. Há mudanças na preferência alimentar, com seletividade para alguns grupos de alimentos.

Outro fato é que aquelas complicações anteriores, como hipertensão arterial e diabetes, vão sofrer muitas modificações, com melhoria. O medico deverá decidir o ajuste das medicações a serem utilizadas.

O grande problema de qualquer cirurgia é a desnutrição que pode acontecer, mesmo que seja de alguns nutrientes e de vitaminas. Uma parcela, embora pequena, desenvolve algum tipo de anemia decorrente da má absorção de alguma vitamina, como a B12 ou o ferro.

Ainda assim a cirurgia bariátrica vale á pena, pois estas complicações são potencialmente curáveis.

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